Em tudo que é possível escrever
Porque o pensamento deve ficar perpetuado
Na linguagem que o faz renascer.
Apetece-me viver
O dia de hoje sem o amanhã
O momento presente sem o depois
Tudo o resto é uma esperança vã
Apetece-me sentir
O calor no rosto das noites de verão
A brisa do amanhecer tardio
O despontar de uma velha paixão
Apetece-me dizer
Tudo com todas as palavras
Soltar todos os sentimentos reprimidos
Abrir novos mundos novas estradas.
Apetece-me ouvir
Os sons da natureza ao acordar
A vida que corre lá fora sofrida
Deixar a melodia do sonho cantar.
Apetece-me escrever
O sem sentido dos pensamentos escondidos
As ideias que ocultam o saber
De todos os princípios esquecidos.
Apetece-me viajar
Pela paisagem do teu corpo cansado
À procura de um sinal para recomeçar
Uma nova viagem, um novo fado.
Apetece-me ficar
Aqui perto de ti.
Jorge Prisma
