Às vezes o que sinto
Às vezes o que sinto
Solta-se das palavras perdidas na voz
Joga com as emoções à cabra cega
Vive as recordações das memórias traídas
Às vezes o que sinto
Deixa cair o tempo moribundo de sentido
Agarra-se ao momento do desejo que ninguém sentiu
Voa nas asas de uma pétala de flor
Às vezes o que sinto
Traz a esperança de lembranças esquecidas
Adormece no silêncio da cidade furtiva
E acorda sempre que alguém diz bom dia
Às vezes o que sinto
Esquece-se de acender a luz da existência
Dá voltas no leito desfeito com os segredos do coração
E a noite, essa, não se deixa apaixonar
Às vezes o que sinto
É uma canção que mora no peito
É uma melodia de um rio sem margens
É um mar azul num horizonte por inventar
Às vezes o que sinto
Os lábios do beijo não sabem dizer
A fala do sorriso não consegue expressar
E o olhar, abriga-se na pureza do sentimento vivido!
Jorge Prisma
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
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